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sexta-feira, 14 de março de 2014

Vendo o mundo através da arte (3) [ESPECIAL] Dia da Poesia - 14 de março

O blog está em festa, hoje, dia 14 de março, aqui no Brasil comemora-se o dia da poesia. Nossa terceira edição do "Vendo o Mundo através da arte" é especial, de uma maneira que se interliga à crítica social e especialmente a poesia. Algumas pessoas vêem a poesia como algo subjetivo, e não entende que por muitas vezes o subjetivo está explicando o objetivo. Já dizia o grande Carlos Drummond de Andrade “Se eu gosto de poesia? Gosto de gente, bichos, plantas, lugares, chocolate, vinho, papos amenos, amizade, amor. Acho que a poesia está contida nisso tudo”.  Outras pessoas só vêem a poesia como um aspecto romântico, dependendo da escola literária e do poeta, a poesia- do romance, à musicalidade e até à critica social-segue outros parâmetros, o que elas têm em comum? Rimas e a liberdade de brincar com as palavras. Além disso, a literatura sempre foi interligada à história brasileira. Para isso, fiz uma breve linha do tempo com as escolas literárias, suas datas e características.


Linha do tempo:







  • Entrevista
Para homenagear e entendermos melhor a poesia em si, convidei uma grande amiga para uma entrevista (por email), Cristina Patriota, formada em Letras pela Universidade Federal de Alagoas (UFAL) e especialista em Língua Portuguesa e Literatura pela Academia Alagoana de Letras (AAL).

Gislayne Dias: Para você o que representa a poesia na literatura contemporânea?

Cristina Patriota: A poesia (desde o Romantismo, em que o romance se tornou o gênero predileto dos leitores) tem tido um lugar marginal na literatura, um lugar em que se pode tudo em termos de linguagem. Atualmente a escolha dos leitores em geral tem se agravado cada vez mais, a preferência pela chamada "literatura de entretenimento", em que não há lacunas para reflexões e formação de opinião, pois o texto já vem pronto e a linguagem utilizada é o mais corriqueira e fácil possível, faz com que a poesia esteja cada vez mais separada do grande público. Poesia é feita para refletir, pensar não só com as palavras que estão ali presentes, mas com o jogo de tais palavras e o tipo de construção que o poeta adota. Grande parte dos leitores atuais não querem ter o trabalho de pensar.

Gislayne Dias: Além da estrutura gramatical poética ser diferente da prosa, há outra exclusividade que caracteriza uma poesia?

Cristina Patriota: ESTRUTURA e SUBJETIVIDADE, sem esses dois elementos não há poesia. A estrutura não só no sentido gramatical e na forma com que as palavras estão dispostas, mas também no ritmo, na cadência, nas rimas, nas ambiguidades e paralelismos. E a subjetividade na forma individual e intransferível de expor sensações, percepções e emoções de forma a deixar interpretações múltiplas e inesperadas a cada leitura.

Gislayne Dias: Você acha que a poesia é algo popularizado? Por quê?

Cristina Patriota: Hoje em dia, com as redes sociais a poesia tem sido mais divulgada (muitas vezes de forma torta, mas ainda assim divulgada). Antigamente a poesia era popular por ser facilmente assimilada e transmitida oralmente; hoje me parece que a poesia é popular porque é capaz de descrever de forma rápida sentimentos e sensações. O problema é que a maioria dos que usam a poesia com essa finalidade só observam o sentido superficial das palavras, a construção poética em si e as entrelinhas raramente são detectadas...

Gislayne Dias: Tens esperança da valorização da poesia ocorrer aqui no Brasil?

Cristina Patriota: Há tanta gente boa atualmente no campo, tantos textos fantásticos que chego a me perguntar como há pessoas que não valorizam isso. A esperança é a última que morre, não é? (risos).

Gislayne Dias: Por ultimo, você é poeta. E todo poeta tem suas influências. Qual é o seu poeta favorito e por quê? (cite um poema dele).

Cristina Patriota: Primeiro, muito obrigada pelo título de "poeta" (risos). Vez por outra me arrisco a rabiscar um verso ou outro sim. Influências são muitas, desde o metódico e árcade Tomás Antônio Gonzaga ao liberal e moderno Manuel Bandeira. Para cada instante tem um poeta que sobressai nas minhas preferências. Mas se tiver que eleger apenas um, sem dúvida é Vinícius de Moraes, não só no campo lírico como em todos os outros textos literários. Não há um texto que eu mais goste dele, mas, para o dia da poesia, elejamos a Poética I:

De manhã escureço
De dia tardo
De tarde anoiteço
De noite ardo.

A oeste a morte
Contra quem vivo
Do sul cativo
O este é meu norte.

Outros que contem
Passo por passo:
Eu morro ontem

Nasço amanhã
Ando onde há espaço:
- Meu tempo é quando.




Para finalizar, deixo aqui uma composição cantada por Arnaldo Antunes, sob a poesia "Luzes" do meu poeta favorito, Paulo Leminski.





Um beijo, um abraço, e com afeto: Feliz dia da poesia!


Gislayne Dias.













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