O blog está em festa, hoje, dia 14 de março, aqui no Brasil
comemora-se o dia da poesia. Nossa terceira edição do "Vendo o Mundo através da arte" é especial, de uma maneira que se interliga à crítica social e especialmente a poesia. Algumas pessoas vêem a poesia como algo subjetivo,
e não entende que por muitas vezes o subjetivo está explicando o objetivo. Já
dizia o grande Carlos Drummond de Andrade “Se eu gosto de poesia? Gosto de
gente, bichos, plantas, lugares, chocolate, vinho, papos amenos, amizade, amor.
Acho que a poesia está contida nisso tudo”.
Outras pessoas só vêem a poesia como um aspecto romântico, dependendo da
escola literária e do poeta, a poesia- do romance, à musicalidade e até à critica social-segue outros parâmetros, o que elas têm
em comum? Rimas e a liberdade de brincar com as palavras. Além disso, a
literatura sempre foi interligada à história brasileira. Para isso, fiz uma
breve linha do tempo com as escolas literárias, suas datas e características.
- Entrevista
Gislayne Dias: Para
você o que representa a poesia na literatura contemporânea?
Cristina Patriota: A
poesia (desde o Romantismo, em que o romance se tornou o gênero predileto dos
leitores) tem tido um lugar marginal na literatura, um lugar em que se pode tudo
em termos de linguagem. Atualmente a escolha dos leitores em geral tem se
agravado cada vez mais, a preferência pela chamada "literatura de
entretenimento", em que não há lacunas para reflexões e formação de
opinião, pois o texto já vem pronto e a linguagem utilizada é o mais
corriqueira e fácil possível, faz com que a poesia esteja cada vez mais
separada do grande público. Poesia é feita para refletir, pensar não só com as
palavras que estão ali presentes, mas com o jogo de tais palavras e o tipo de construção
que o poeta adota. Grande parte dos leitores atuais não querem ter o trabalho
de pensar.
Gislayne Dias: Além da
estrutura gramatical poética ser diferente da prosa, há outra exclusividade que
caracteriza uma poesia?
Cristina Patriota:
ESTRUTURA e SUBJETIVIDADE, sem esses dois elementos não há poesia. A estrutura
não só no sentido gramatical e na forma com que as palavras estão dispostas,
mas também no ritmo, na cadência, nas rimas, nas ambiguidades e paralelismos. E
a subjetividade na forma individual e intransferível de expor sensações,
percepções e emoções de forma a deixar interpretações múltiplas e inesperadas a
cada leitura.
Gislayne Dias: Você
acha que a poesia é algo popularizado? Por quê?
Cristina Patriota: Hoje
em dia, com as redes sociais a poesia tem sido mais divulgada (muitas vezes de
forma torta, mas ainda assim divulgada). Antigamente a poesia era popular por
ser facilmente assimilada e transmitida oralmente; hoje me parece que a poesia
é popular porque é capaz de descrever de forma rápida sentimentos e sensações.
O problema é que a maioria dos que usam a poesia com essa finalidade só
observam o sentido superficial das palavras, a construção poética em si e as
entrelinhas raramente são detectadas...
Gislayne Dias: Tens
esperança da valorização da poesia ocorrer aqui no Brasil?
Cristina Patriota: Há
tanta gente boa atualmente no campo, tantos textos fantásticos que chego a me
perguntar como há pessoas que não valorizam isso. A esperança é a última que
morre, não é? (risos).
Gislayne Dias: Por
ultimo, você é poeta. E todo poeta tem suas influências. Qual é o seu poeta
favorito e por quê? (cite um poema dele).
Cristina
Patriota: Primeiro, muito obrigada pelo título de
"poeta" (risos). Vez por outra me arrisco a rabiscar um verso ou
outro sim. Influências são muitas, desde o metódico e árcade Tomás Antônio
Gonzaga ao liberal e moderno Manuel Bandeira. Para cada instante tem um poeta
que sobressai nas minhas preferências. Mas se tiver que eleger apenas um, sem
dúvida é Vinícius de Moraes, não só no campo lírico como em todos os outros
textos literários. Não há um texto que eu mais goste dele, mas, para o dia da
poesia, elejamos a Poética I:
De manhã escureço
De dia tardo
De tarde anoiteço
De noite ardo.
A oeste a morte
Contra quem vivo
Do sul cativo
O este é meu norte.
Outros que contem
Passo por passo:
Eu morro ontem
Nasço amanhã
Ando onde há espaço:
- Meu tempo é quando.
De dia tardo
De tarde anoiteço
De noite ardo.
A oeste a morte
Contra quem vivo
Do sul cativo
O este é meu norte.
Outros que contem
Passo por passo:
Eu morro ontem
Nasço amanhã
Ando onde há espaço:
- Meu tempo é quando.
Para finalizar, deixo aqui uma composição cantada
por Arnaldo Antunes, sob a poesia "Luzes" do meu poeta favorito, Paulo Leminski.
Um beijo, um abraço, e com afeto: Feliz dia da poesia!
Gislayne Dias.

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