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segunda-feira, 30 de dezembro de 2013

Vendo o mundo através da arte(2) - A vitrola de 1960 e as curvas da estrada de Santos


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      A segunda edição do “vendo o mundo através da arte” é focado nos meios de comunicação, principalmente nos antigos. Antes de começar, vale ressaltar ao leitor que meu sonho era ouvir música da vitrola. Por acaso, aconteceu o sonho. Onde menos se espera, a cultura floresce. E dessa vez ela brotou de um lugar onde a sociedade não bota muita fé... Em um shopping popular aqui em Maceió, andando pelas lojinhas, eis que me aparece o Sr. Antonio Manoel, mais conhecido como “Tony do Rádio”, que desde pequeno é amante do rádio e dos outros meios de comunicação antigos. “Eu prefiro ouvir rádio a que ficar no computador e na TV, no rádio as notícias saem mais depressa”, diz ele. Tony vende discos de vinil, vitrolas, máquinas fotográficas, TV, fitas cassetes, tudo muito bem conservado e das épocas de 60 para lá de Bagdá. Deparei-me com um homem feliz, que mesmo estando no século 21, se sente em várias épocas ao mesmo tempo dentro daquela pequena lojinha. E como sempre elogiando seu meio de comunicação preferido “O rádio me faz relembrar 40 anos atrás.” Depois de uma série de perguntas, pedi que Seu Antônio colocasse a vitrola para funcionar, eis que ele põe um disco de vinil do mais famoso cantor da jovem guarda: Roberto Carlos.  Garanto a vocês que o som de vitrola traz uma sensação nostálgica de um tempo que eu nem vivi. Mas que faz com que a nostalgia aconteça de forma mais concreta, isso é certeza. O som de vitrola é como se tivesse empoeirado, é como se voltasse e explicasse aquele tempo. É para isso que a cultura serve... Para lembrar uma época vivida. Infelizmente, ver o mundo através da arte... Pelo som da vitrola me fez lembrar que a geração de hoje não sabe o que é música... Qualquer batida de lata e uma letra pornográfica são aplausíveis e vendidas como água no deserto aqui no nosso país. Em um Brasil onde se tem tantos e tantos artistas desconhecidos que fazem letras belíssimas, letras regionais, letras históricas, letras que faz sentido de ouvir. Eu sou a favor de música que tenha letra! Quem já se viu ouvir uma música que não tem sentido nenhum, só porque é deixado se levar pelo ritmo? Música tem que ter letra, ritmo, melodia, tudo combinado. Pra mim, se não tiver isso tudo, principalmente uma letra, um ideal, o resto disso tudo que se toca por aí é poluição sonora, por isso que “eu prefiro as curvas da estrada de Santos” ou talvez “a Brasília amarela, ta de portas abertas pra mode a gente se amar, pelados em Santos...”
                                                                                                                                         

                                                                                                                                                                                        Gislayne Dias.


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